sábado, 6 de fevereiro de 2010

Filosofia de boteco

Existe sempre a pergunta:
_Esse ano a coisa vai?
Pós crise internacional
E o balança mais não cai
Tudo me parece antigo
Tal Schumacher em Dubai

Seja na fórmula um
Ou na porta de um boteco
Tenho a nítida impressão
De viver um repeteco
Dos carnavais de outrora
Com pandeiro e reco-reco

Começar recomeçar
Outro ano de eleição
Mais uma copa do mundo
Torcer pela seleção
E mandar no Big Brother
Mais alguém pro paredão

Dizem que isso é pessimismo
E que eu penso negativo
Mas dizia o velho Einstein
Que o barato é relativo
Só o fato de pensar
Já me torna positivo

Sou um otimista nato
Sei que um dia tudo muda
Mas de novo esperar
Que o céu nos dê ajuda
É rever nosso país
Vivendo um Deus nos ARRUDA!

Já nem falo de cuecas
Panetones coisa e tal
Isso é coisa do passado
Virou assunto banal
Tal como um “viver a vida”
Novelinha de jornal

E antes que eu me afogue
Nessa cidade alagada
Fruto de descaso público
E do lixo na enxurrada
Vou deixar o meu pitaco
E abrir outra gelada

Se o Haiti é aqui
Pesando-nos sobre os ombros
Acho bom recomeçarmos
Livrando-nos dos assombros
Que escondem a esperança
Por debaixo dos escombros

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